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Quinta-feira, 17 de setembro de 2026
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“A geopolítica ficou tão importante para a economia do Espírito Santo que precisamos entendê-la”, afirma Marcos Troyjo em encontro do IBEF-ES

Publicado em 4 de setembro de 2026 às 10:24h

“A geopolítica ficou tão importante para a economia do Espírito Santo que precisamos entendê-la”, afirma Marcos Troyjo em encontro do IBEF-ES

“A geopolítica ficou tão importante para a economia do Brasil, tão importante para a economia do Espírito Santo, que já é o momento de nós entendermos que existem dinâmicas que são microgeopolíticas”. A afirmação do economista e ex-secretário de Comércio Exterior Marcos Troyjo sintetizou um dos principais debates do Encontro IBEF-ES 2026, realizado nesta quinta-feira (3), na Ferrari Eventos, em Vitória.

Cacá Lima

Mais de 250 pessoas participaram do encontro, que reuniu empresários, executivos, economistas, autoridades e lideranças para discutir os movimentos que estão redesenhando a economia mundial e os caminhos para que o Estado transforme suas vantagens em desenvolvimento.

Com o tema “O Futuro se Constrói no Presente: escolhas estratégicas para transformar oportunidades em desenvolvimento”, o evento propôs uma reflexão sobre decisões que precisam ser tomadas hoje para ampliar a produtividade, a competitividade e a capacidade de inovação do Estado no longo prazo.

Alecssandro Cassasi, presidente do Ibef | Foto: Cacá Lima

Na abertura, o presidente do IBEF-ES, Alecsandro Casassi, destacou que o Espírito Santo vive um momento de oportunidades, mas que o aproveitamento desse cenário depende de escolhas estratégicas. “O mundo está mudando rapidamente. Tecnologia, geopolítica, economia e modelos de negócio estão passando por grandes transformações. E o Espírito Santo também vive um momento de oportunidades e escolhas importantes”, afirmou.

Para Casassi, o desafio é transformar as condições favoráveis já existentes em resultados concretos. “Temos vantagens, capacidade e oportunidades. Mas precisamos transformar tudo isso em produtividade, competitividade, inovação e desenvolvimento”, disse. Segundo ele, essa é também uma das contribuições do IBEF-ES para o Estado, ao promover conhecimento, conectar pessoas e estimular o diálogo sobre as decisões que podem influenciar o futuro do Espírito Santo.

Marcos Troyjo em palestra no Encontro Ibef 2026 | Foto Cacá Lima

Na palestra magna “Brasil em Transformação: tendências globais, produtividade e oportunidades estratégicas para o Espírito Santo”, Marcos Troyjo levou o debate para além dos indicadores econômicos e mostrou como as mudanças na geopolítica mundial já estão produzindo efeitos sobre empresas, países e cadeias de produção.

Um dos exemplos apresentados foi a ascensão da China. Troyjo lembrou que, até 1997, a economia brasileira era maior que a chinesa. Hoje, segundo ele, a economia da China é oito vezes maior. A transformação também pode ser observada na relação comercial entre os dois países.

Ao atualizar um levantamento que havia realizado antes de assumir funções na área de comércio exterior, o economista comparou os fluxos comerciais entre Brasil e China. Em 2001, a soma das exportações e importações entre os dois países equivalia a cerca de US$ 1 bilhão por ano. Em 2026, o mesmo volume, segundo a comparação apresentada por Troyjo, é movimentado a cada 46 horas.

“Uma gigantesca força de demanda do mundo”, afirmou, ao dimensionar o peso da China na economia global.

Para Troyjo, a ascensão chinesa representa um dos movimentos que ajudam a explicar a reorganização da economia mundial. A chamada “China shock” provocou mudanças na localização das fábricas e nas cadeias produtivas, enquanto a expansão do mercado chinês criou uma força de demanda que passou a influenciar diretamente países exportadores, entre eles o Brasil.

É nesse contexto que a geopolítica ganha espaço nas decisões econômicas. Na avaliação do economista, alguns movimentos têm efeitos mais imediatos, enquanto outros se desenvolvem ao longo de décadas e podem redefinir a posição dos países na economia global.

“Se fosse um jogo de futebol, essa partida daria aos quatro ou cinco minutos do primeiro tempo. Ou seja, o jogo ainda está começando”, comparou Troyjo, ao falar sobre as transformações geopolíticas que ainda estão em curso.

A palestra também chamou atenção para a necessidade de o Brasil olhar para suas próprias vantagens e identificar novas oportunidades em um cenário de transformação. O agronegócio, os recursos naturais, a capacidade produtiva e a posição estratégica do país foram apresentados dentro de uma discussão mais ampla sobre como transformar potencial em competitividade.

Para o Espírito Santo, essa leitura ganha relevância diante de suas características econômicas e logísticas. A localização, a infraestrutura, os setores consolidados e a conexão com mercados nacionais e internacionais colocam o Estado em uma posição favorável, mas o desafio, como apontado durante o encontro, é transformar essas condições em maior produtividade e geração de renda.

Essa discussão se conectou ao painel sobre o projeto ES 500 Anos, apresentado por Nailson Dalla Bernardina. O IBEF-ES participa ativamente da iniciativa, integrando o Comitê de Líderes do ES 500 Anos, que trabalha com uma visão de planejamento de longo prazo para o Estado.

Nailson destacou a importância de construir uma agenda que ultrapasse os ciclos políticos e tenha participação da sociedade. Segundo ele, o projeto conta atualmente com uma comunidade de 391 pessoas e busca justamente ampliar a participação de diferentes setores na definição das prioridades para o futuro.

“Essa é uma construção coletiva e plano de Estado e não de governo. Nós queremos que as coisas, os projetos com evidências continuem e entreguem resultados reais para a sociedade”, afirmou.

Entre os eixos trabalhados pelo ES 500 Anos está o aumento da complexidade econômica, associado a inovação, diversificação e produtividade. O tema também esteve no centro do encontro do IBEF-ES, reforçando a necessidade de discutir não apenas onde o Estado está hoje, mas quais condições precisa criar para sustentar seu crescimento nas próximas décadas.

Para o economista-chefe do IBEF-ES, Felipe Storch, o encontro mostrou que o Espírito Santo reúne ativos importantes para avançar, mas que o próximo passo depende da capacidade de transformar essas vantagens em produtividade, inovação e renda. Na avaliação de Storch, o cenário internacional torna ainda mais importante uma visão estratégica e de longo prazo, capaz de conectar planejamento, ambiente de negócios, qualificação, infraestrutura e inovação. “O Espírito Santo tem vantagens competitivas importantes, mas o diferencial estará cada vez mais na capacidade de transformá-las em produtividade e desenvolvimento. O futuro não será definido apenas pelas oportunidades que surgirem, mas pelas escolhas que fizermos agora”, avalia.