SOMA: dança, tecnologia e experiência sensorial marcam espetáculo no Theatro Carlos Gomes
SOMA: dança, tecnologia e experiência sensorial marcam espetáculo no Theatro Carlos Gomes
Idealizado pela bailarina Gabriela Moriondo e pelo artista multilinguagem Glauber Vianna, espetáculo de dança contemporânea estreia em Vitória entre 28 e 31 de maio, e propõe uma experiência entre corpo, luz e tecnologia
O encontro entre dança contemporânea, tecnologia, artes visuais e experimentação sensorial conduz SOMA, novo espetáculo de Gabriela Moriondo e Glauber Vianna, que estreia entre os dias 28 e 31 de maio, no Theatro Carlos Gomes, no Centro de Vitória. Com classificação LIVRE+, a obra apresenta uma investigação poética sobre transformação e identidade, convidando o público a uma percepção mais atenta do tempo, do corpo e das sensações produzidas em cena.
Após dois anos afastada dos palcos desde o nascimento da filha, a bailarina e coreógrafa capixaba Gabriela Moriondo integra ao processo criativo reflexões sobre as transformações que atravessam a vida ao longo do tempo. “Esse processo acabou se incorporando ao trabalho e trouxe novas camadas para a cena, ligadas à metamorfose e ao redescobrimento de mim mesma como mãe, mulher e artista”, afirma Gabriela, formada em Dança Contemporânea pela Escola do Teatro Bolshoi no Brasil (2014), especializada em Estudos de Dança no Trinity Laban Conservatoire of Music and Dance, no Reino Unido (2016), e graduada em Artes Plásticas pela Universidade Federal do Espírito Santo (UFES).
Idealizado no Espírito Santo, o espetáculo reforça sua conexão com o território ao reunir artistas, técnicos e profissionais capixabas em diferentes áreas da criação. Contemplado pelo Edital de Artes Cênicas – Funcultura PNAB 2024, da Secult-ES, o projeto dá continuidade à pesquisa iniciada em Inconstante (2024), aprofundando a relação entre dança contemporânea, tecnologia e experiência sensorial.
Tecnologia como meio, não como fim
Em SOMA, a tecnologia integra organicamente a linguagem cênica, atuando na construção do espaço, da luz e da ambiência sonora. Desenvolvido pelos dois artistas, o trabalho dialoga com a maneira como nos relacionamos hoje com a presença e com as imagens, criando uma atmosfera imersiva alinhada ao universo das grandes experiências contemporâneas. Mais do que um recurso técnico, esses elementos estruturam a própria dramaturgia da obra.
A combinação entre som, projeção, iluminação e laser potencializa a experiência sensorial da montagem e estabelece um diálogo direto com a dança, criando uma cena em constante transformação. Elementos como um sistema de espelhos móveis, desenvolvido em parceria com alunos e professores da Escola Estadual de Ensino Médio Arnulpho Mattos, e uma grande tela translúcida de projeção ampliam as possibilidades visuais do espetáculo, criando camadas que transitam entre o físico e o virtual.
“Existe uma dimensão experimental muito forte em SOMA. A tecnologia não aparece como um efeito visual gratuito ou um elemento isolado. Ela está integrada à cena, ao espaço e à experiência do público. Tudo foi pensado para criar percepção, presença e atmosfera”, destaca Glauber, diretor artístico e artista multimídia conhecido por desenvolver visuais de cena para turnês de artistas como Tribalistas, Los Hermanos, Paralamas do Sucesso, Barão Vermelho, Gilberto Gil, Maria Bethânia e Roberto Carlos, além de projetos para televisão.