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Dólar subindo e juros caindo: especialista explica como empresas podem reduzir riscos das oscilações cambiais

Publicado em 5 de outubro de 2026 às 16:48h

Dólar subindo e juros caindo: especialista explica como empresas podem reduzir riscos das oscilações cambiais

Juros menores reforçam a importância da proteção cambial para empresas expostas ao dólar

O mercado financeiro mantém a expectativa de que o dólar encerre 2026 cotado, em média, a R$ 5,20, segundo o Relatório Focus do Banco Central. A projeção permanece nesse patamar há 15 semanas consecutivas, enquanto o cenário econômico também é marcado pelo ciclo de redução da taxa Selic e por incertezas no mercado internacional. Para empresas que importam insumos, exportam produtos ou realizam pagamentos em moeda estrangeira, esse contexto reforça a necessidade de um planejamento cambial mais estratégico.

Embora a projeção do Focus indique estabilidade nas expectativas do mercado, a cotação do dólar continua sujeita a oscilações diárias influenciadas por fatores como fluxo de investimentos, cenário fiscal brasileiro, decisões de bancos centrais e acontecimentos geopolíticos. Por isso, o maior desafio para as empresas não é prever o comportamento da moeda, mas administrar os impactos dessa volatilidade sobre custos, receitas e fluxo de caixa.

Para o assessor de Câmbio e Comércio Exterior da Sicredi Serrana, Vinícius Pereira, o ambiente de juros menores tende a exigir ainda mais atenção das empresas que mantêm operações internacionais.

"A redução da Selic pode influenciar o comportamento do câmbio ao alterar a dinâmica de entrada e saída de capital no país, mas o dólar continuará respondendo a diversos fatores internos e externos. Por isso, empresas que trabalham com importação, exportação ou contratos em moeda estrangeira precisam olhar menos para a cotação do dia e mais para uma estratégia de gestão cambial”, explica.


Espírito Santo sente os efeitos do dólar no dia a dia dos negócios

A atenção ao câmbio é especialmente importante no Espírito Santo, um dos estados brasileiros com forte vocação para o comércio exterior. Cadeias como rochas ornamentais, café, siderurgia, agronegócio, logística e indústria dependem de operações internacionais e convivem diretamente com os impactos da variação do dólar.

Segundo Vinícius, tanto a valorização quanto a desvalorização da moeda americana podem afetar a competitividade das empresas.

"Quando o dólar sobe, o custo de matérias-primas e equipamentos importados aumenta. Já para quem exporta, pode haver ganho de competitividade, mas também é preciso avaliar contratos, prazos de recebimento e exposição à moeda. Em qualquer cenário, planejamento faz diferença”, pontua o especialista.


 Proteção cambial ajuda a dar previsibilidade ao negócio

Uma das principais ferramentas para reduzir os impactos das oscilações é a proteção cambial, conhecida como hedge. O mecanismo permite que empresas reduzam a exposição às variações da moeda em operações futuras, trazendo maior previsibilidade para pagamentos, recebimentos e negociações internacionais.

Além do hedge, o especialista destaca outras medidas que podem fortalecer a gestão financeira das empresas, como programar compras internacionais com antecedência, distribuir pagamentos em diferentes datas, acompanhar o fluxo de caixa em moeda estrangeira e avaliar constantemente a exposição cambial do negócio.

"O objetivo da proteção cambial não é acertar se o dólar vai subir ou cair. É proteger o planejamento financeiro da empresa para que uma mudança brusca na cotação não comprometa margens, contratos ou investimentos”, destaca.


Gestão cambial deixa de ser preocupação apenas de grandes empresas

Na avaliação do assessor da Sicredi Serrana, a gestão cambial deixou de ser uma necessidade exclusiva de grandes exportadoras e importadoras. Empresas de pequeno e médio porte que compram insumos no exterior, contratam serviços internacionais ou vendem para outros países também podem incorporar estratégias de proteção ao planejamento financeiro.

"Quanto mais cedo a empresa incorpora a gestão cambial à rotina financeira, maior é a capacidade de tomar decisões com segurança. O câmbio sempre terá volatilidade, mas isto pode ser administrado quando existe planejamento e acompanhamento especializado”, diz Pereira.