Dor crônica: 5 atitudes que podem ajudar no tratamento
Dor crônica: 5 atitudes que podem ajudar no tratamento
Fisioterapeuta explica por que lidar com uma dor persistente vai além de tratar o local que dói e destaca cuidados que podem fazer parte da recuperação
Conviver com uma dor que persiste por semanas ou meses pode mudar muito mais do que a disposição física. Aos poucos, algumas pessoas passam a evitar movimentos, reduzem atividades, deixam de praticar exercícios e até reorganizam a rotina em função do medo de sentir dor.
Para a fisioterapeuta Valéria Baldan, especialista em Terapias Integrativas e fundadora do Instituto Sohma, um dos desafios do tratamento da dor crônica é justamente não permitir que a dor ocupe cada vez mais espaço na vida do paciente.
“Quando a dor se prolonga, é comum a pessoa começar a desconfiar do próprio corpo. Ela deixa de fazer determinados movimentos porque acredita que vai piorar, fica mais insegura e, pouco a pouco, vai limitando a própria vida. O tratamento também precisa trabalhar para recuperar essa confiança”, explica.
A especialista aponta cinco cuidados que podem fazer diferença nesse processo:
Entenda melhor a sua dor
Compreender o que acontece no corpo é parte do tratamento. Uma dor persistente não significa necessariamente que exista uma nova lesão acontecendo a cada episódio. Carrossel Dor Crônica Terapia
“Quando o paciente entende melhor o que está sentindo, conseguimos diminuir parte do medo associado ao movimento. Isso é importante porque viver tentando proteger o corpo o tempo inteiro também pode trazer limitações”, afirma Valéria.
Não transforme o corpo em algo frágil
O tratamento pode incluir técnicas manuais e outros recursos para aliviar tensão e desconforto. Mas, segundo Valéria, é importante que o cuidado não transmita ao paciente a mensagem de que seu corpo precisa ser permanentemente protegido. Essa é também uma das premissas destacadas no material do Instituto sobre dor crônica. Carrossel Dor Crônica Terapia
“O objetivo não é criar dependência do tratamento. É ajudar aquela pessoa a voltar a confiar no corpo e recuperar autonomia.”
Continue se movimentando — com orientação
Dor não significa necessariamente que todo movimento deva ser interrompido. O exercício, no entanto, precisa considerar as condições e o momento de cada pessoa, com progressão adequada de carga. Carrossel Dor Crônica Terapia
“Não adianta sair da inatividade e querer recuperar tudo de uma vez. Também não é interessante simplesmente parar de se movimentar por medo. Precisamos encontrar o que aquela pessoa consegue fazer naquele momento e evoluir a partir daí.”
Observe como você distribui o esforço durante o dia
Tratamento não acontece apenas durante a sessão de fisioterapia. Reorganizar tarefas, incluir pausas e distribuir melhor as atividades ao longo do dia também pode ajudar a recuperar autonomia. Carrossel Dor Crônica Terapia
“Às vezes, a pessoa concentra um esforço enorme em determinado período e depois passa horas ou até dias se recuperando. Pequenas mudanças na rotina podem ajudar a quebrar esse ciclo.”
Considere também o que está acontecendo emocionalmente
Medo, insegurança e frustração podem modificar a relação da pessoa com o próprio corpo e com o movimento. Por isso, o aspecto emocional também integra o cuidado de quem convive com dor crônica. Carrossel Dor Crônica Terapia
Isso não significa dizer que a dor “está na cabeça”, ressalta Valéria.
“A dor é real. Mas nós não podemos separar uma pessoa em partes. Sono, estresse, emoções, rotina, movimento e experiências anteriores fazem parte da história daquele paciente e precisam ser considerados quando buscamos entender um quadro persistente.”
Para a fisioterapeuta, o tratamento da dor crônica não deve ser uma corrida em busca de uma solução imediata, mas um processo de recuperação gradual da funcionalidade e da autonomia.
“Não existe um procedimento milagroso. O que faz diferença é entender aquela pessoa, escolher os recursos adequados e construir um caminho possível para que ela volte a se movimentar e a viver com mais segurança. Não é fazer muito por pouco tempo. É fazer melhor, com continuidade.”
Sobre Valéria Baldan
Valéria Baldan é fisioterapeuta e educadora física, especialista em Terapias Integrativas e fundadora do Instituto Sohma, em São Paulo. Com 26 anos de experiência clínica, possui formação em RPG, Pilates, Microfisioterapia, Sohier e outras abordagens integrativas, além de pós-graduação em Fisiologia do Exercício na Saúde, na Doença e no Envelhecimento pelo Hospital das Clínicas da USP e aprimoramentos em dor crônica, biomecânica e cinesiologia funcional.