IA elaborado pelo vice-presidente do CFM, reforça fiscalização e protege pacientes nas redes sociais
IA elaborado pelo vice-presidente do CFM, reforça fiscalização e protege pacientes nas redes sociais
Cirurgião torácico e doutor em Ciências da Saúde, Jeancarlo Cavalcante, 3º vice-presidente do CFM, explica como nova plataforma de inteligência artificial será usada para identificar falsos médicos e irregularidades na internet
O Conselho Federal de Medicina (CFM) passou a contar com uma plataforma de inteligência artificial (IA) para reforçar a fiscalização do exercício da medicina em todo o país. A ferramenta, integrada à Plataforma Nacional de Fiscalização, monitora redes sociais e cruza informações divulgadas por profissionais com os bancos de dados oficiais do Conselho.
Idealizada pelo 3º vice-presidente do CFM, o cirurgião torácico e doutor em Ciências da Saúde Jeancarlo Cavalcante, a tecnologia deve ampliar em cerca de 30% o volume de fiscalizações realizadas pelos Conselhos Regionais de Medicina (CRMs).
Entre 2012 e 2023, o Brasil registrou 9.566 ocorrências de exercício ilegal da medicina, uma média de dois casos por dia, segundo dados do CFM. A seguir, Jeancarlo explica como a ferramenta funciona e de que forma pode contribuir para a segurança dos pacientes.
RI- Como a inteligência artificial vai ajudar a identificar falsos médicos nas redes sociais?
JC- A plataforma vai varrer as redes sociais em busca de falsos médicos ou de infrações graves à medicina. Ela analisa perfis, publicações e interações e cruza essas informações com os bancos de dados oficiais do CFM. Com isso, conseguimos identificar quem se passa por médico sem nunca ter cursado medicina, por exemplo.
RI- A ferramenta também consegue identificar médicos que anunciam especialidades que não possuem?
JC- Sim. Automaticamente, a plataforma vai "pegar" o CRM que o médico está anunciando, cruzar com os dados do Conselho e identificar que aquele médico não é especialista naquilo que ele propaga.
RI- Qual é a expectativa em relação ao aumento da fiscalização?
JC- Nós esperamos aumentar em 30% o volume de fiscalização. A plataforma reduz para segundos um trabalho de análise que poderia levar muito mais tempo. Com a tecnologia, os Conselhos Regionais de Medicina terão mais capacidade para identificar situações que precisam ser fiscalizadas.
RI- Como a fiscalização pode contribuir para a segurança do paciente?
JC- O objetivo é proteger os pacientes. Nas redes sociais, existem centenas de perfis fraudulentos oferecendo diagnósticos ou tratamentos sem qualquer base científica. A fiscalização permite identificar essas situações e evitar que a população seja exposta a pessoas que não têm formação médica ou a profissionais que divulgam informações incompatíveis com sua formação.
RI- O que acontece quando uma irregularidade é identificada?
JC- O tratamento dado a cada caso varia conforme quem está por trás do perfil irregular. Quando se trata de um médico registrado que comete uma infração, a primeira medida é uma orientação pedagógica. Caso as irregularidades persistam, ele pode responder a um processo ético-profissional. Já nos casos de pessoas sem formação médica exercendo ilegalmente a profissão, o caso é encaminhado diretamente à Justiça.